quinta-feira, 31 de março de 2011

Insones, otimistas e...perigosos?

Sua mãe tinha razão quando colocava você para dormir cedo. Um estudo da Universidade de Berkeley aponta que a privação do sono impulsiona o circuito de prazer do cérebro, deixando os insones mais otimistas – mas também mais propensos a tomarem atitudes arriscadas. O que, convenhamos, justifica a falta de critério de muita gente no fim da balada. 

Motivo de insônia bem justificável e cheia de critério
O estudo foi publicado no Journal of Neuroscience, destacando a necessidade de profissionais que precisam tomar decisões de alto risco, desde médicos a pilotos de avião, tenham sono satisfatório. É como diz o principal autor do estudo, Matthew Walker: “Eu estaria preocupado se um médico de emergência, que esteve de plantão durante 20 horas seguidas, tomasse decisões racionais sobre a minha saúde”. Eu também, doutor.

Quem bocejou grita UAAAAHH.
Uma pesquisa anterior apontou que, em pessoas com transtorno do humor, duas das principais fases do sono durante a noite sofrem interrupções – as fases de movimento rápido dos olhos (REM), quando acontecem os sonhos, e de movimentos oculares não-rápidos (NREM), quando músculos e cérebro descansam. No entanto, várias dessas pessoas apresentavam comportamento otimista depois de uma noite mal dormida. Curiosos em saber o motivo, pesquisadores analisaram, através de ressonância magnética, o cérebro de 27 jovens adultos.

Os voluntários foram divididos em 2 grupos: metade teve uma boa noite de sono; os outros, passaram a noite acordados. Depois, foram apresentadas aos participantes uma série de imagens, incluindo coisas fofas e agradáveis como coelhos e sorvetes. O primeiro grupo foi mais moderado nas avaliações, enquanto o segundo avaliou mais positivamente.

Já as imagens do cérebro mostravam que os participantes que perderam a noite de sono tinham grande atividade numa região chamada mesolímbica, um circuito cerebral impulsionado pela dopamina – neurotransmissor que regula motivação, otimismo, impulso sexual, vícios, desejos e tomada de decisão. Isso afeta o discernimento, pois a pessoa pode tomar uma atitude impulsiva por se sentir otimista. Além disso, a privação do sono “desliga” a ligação do mesolímbico com o córtex pré-frontal, responsável pelas decisões, e ativa funções neurais primárias, como o reflexo de bater-ou-correr, numa região cerebral chamada amígdala. 

Um estudo semelhante, na Universidade de Duke, analisou o comportamento de jogadores insones em cassinos. De acordo com os pesquisadores, aqueles que se privaram do sono tenderam a fazer escolhas de olho nos lucros, em vez de optar por jogadas que permitiriam reduzir as perdas. Além disso, um dos autores da pesquisa, o estudante de psicologia Vinod Venkatraman, afirma que a cafeína, o ar fresco e o exercício não são suficientes para combater os efeitos da falta de descanso.


Essas pesquisas explicam muita coisa que já vi por aí, acredito. Desde a euforia de quem faz a Lady Gaga na balada (com a ajuda do álcool, provavelmente) até a ressaca moral (e muito provavelmente alcoólica também) pela falta de critério no fim da noite. Mas comemore, sai lucro quem não freqüenta cassino. No fim das contas, perder uma noite de sono pode até ser divertido... mas, como aconselha minha mãe, nada se compara a uma boa soneca. * Bons sonhos! *

Um beijo pra quem acorda disposta, linda e maquiada.



terça-feira, 29 de março de 2011

O amor é (de fato) uma dor

Sofrer por amor não é nenhuma frescura. A tal dor de se sentir rejeitado pela pessoa amada é tão real quanto bater o dedo mindinho do pé na parede. Ou cair de bicicleta. Ou uma picada de injeção... enfim, é o que diz uma nova pesquisa da Universidade de Michigan, ao constatar em um estudo que experiências de rejeição social e experiências sensoriais dolorosas ativam as mesmas áreas no cérebro.

Por mais que pareçam diferentes tipos de dor, a experiência constatou que tanto um pé na bunda quanto um machucado físico ativam regiões do cérebro chamadas córtex somatossensorial e a ínsula dorsal posterior. O estudo foi feito com 40 voluntários que disseram que se sentiam rejeitados após o término inesperado de um relacionamento amoroso ocorrido nos últimos seis meses.


A experiência propunha para cada participante duas tarefas, enquanto tinham seus cérebros examinados por ressonância magnética funcional. A primeira, relacionada à sensação de rejeição; a outra, com respostas à dor física. A constatação dos pesquisadores, coordenados pelo psicólogo Ethan Kross, foi que as sensações de rejeição social ativam as mesmas regiões cerebrais envolvidas com a dor física – e que raramente são ativadas em estudos de neuroimagens de emoções. 

Agora, vamos combinar. Em terras tupiniquins, sabíamos disso faz tempo...


Fonte: Agência FAPESP. Em breve o artigo Social rejection shares somatosensory representations with physical pain poderá ser lido na íntegra por assinantes da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.